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Neste estudo, são analisadas diversas razões que justificam, no contexto sócio-político-cultural do Estado Novo (1937-1945), a publicação de uma densa obra, a Voyage dans les provinces de Rio de Janeiro et de Minas Geraes (1850), de Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853), intitulada entre nós Viagem pelas províncias de Rio de Janeiro e Minas Geraes, por Clado Ribeiro de Lessa (1906-1960).
O contexto da tradução daquele relato de viajante, o ano 1938, era favorável, em um momento em que o regime do Estado Novo no Brasil, sob a ditadura de Getúlio Vargas, empreendeu esforços para projetar, interna e externamente, a imagem de um país próspero, cuja população viveria feliz, sob a administração de um presidente tido por muitos como o pai dos pobres. Aproximava-se das famílias, reconheceu direitos aos trabalhadores por meio da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), apoiava a arte popular e impunha a ordem, ao mandar punir o indivíduo malandro, ao desbaratar o cangaço e ao enfraquecer a oposição, caso dos comunistas e dos integralistas. Ditador que governou sozinho, sem partidos políticos, mas que soube, mesmo assim, atrair uma incrível popularidade, que ainda faz o seu nome ser lido e ouvido na sociedade. Na tradução da referida obra, naquele contexto uniu-se o ideal de um país em crescimento, o Brasil, a um outro, europeu e próspero, a França.
Ana Lucia da Silva Mattos, carioca, professora, divulga, por este seu segundo livro, parte da pesquisa elaborada para a arguição de seu segundo Mestrado pela UFRJ. A obra comenta motivos para a tradução, no Brasil, de textos de Auguste de Saint-Hilaire (1779-1853), que aqui esteve no começo do século XIX. O primeiro livro da autora foi em Literatura Francesa e Literaturas de Língua Francesa, pela mesma instituição, sobre trabalhos da escritora indochinesa Marguerite Duras (1914-1996).